domingo, 1 de agosto de 2010

Puro masoquismo.

Cresci ouvindo as mesmas frases. Conselhos que mais pareciam ordens. Palpites com cara de "eu estou te avisando". Broncas ameaçadoras e acolhedoras concomitantemente. Não tinha amigos, só pessoas que brincavam comigo pelas marcas dos meus brinquedos ou que achavam bonitinho duas gêmeas gordinhas e engraçadas e queriam rir um pouco. Meu mundo era minha casa, o único lugar onde eu tinha total permissão para me expressar, mostrar que eu era uma pessoa antenada, que decorava todos os comerciais, assim como fazia a filha da vizinha ou da professora, que tentava matar a irmã molenga de todas as formas. Quase não falava na escola, nas festinhas de aniversário, no trabalho da minha mãe. Mas quando estava sozinha com minha irmã, em casa... era a pessoa que mais falava, criava, destruía e ria. Cresci ouvindo que não deveria dar atenção ao que os outros pensavam, que só interessava estar bem. Mas eu ouvia também que a filha do fulano não chorava ao acordar 6h para ir à escola e que a filha do Cicrano tomava vários banhos por dia e achava muito bom; mais absurdo ainda, ameaçavam me dedurar para o garotinho da escola, de quem eu dizia gostar, só pra que eu parasse de fazer xixi na cama, parasse de evitar os deveres de casa ou chorar quando caía.
Sempre ouvi que o mais importante era ser alguém, conquistar o que eu quisesse e que namoraria só depois da faculdade. Eis que as palavras de mãe, tia e avó têm um poder inacreditável sobre o futuro de uma pessoa. Queria conhecer meu pai, ter minha mãe e minha tia ao mesmo tempo, parar de brigar com minha irmã, poder ir à praia todos os dias.Esses eram os grandes sonhos da garotinha.
Conforme fui crescendo, não tinha em mente um relacionamento, nem ao menos passava pela minha cabeça dar um primeiro beijo. Eu queria era chegar à tal faculdade, conhecer gente engraçada, irônica, simpática e sensível. Eis que consegui amigas. Grandes amigas. Muitas amigas. E vivemos tantas coisas bacanas e inesquecíveis juntas. Todas juntas. E claro, me apaixonei. Nem deu certo e eu deveria saber. Voinha sempre falou que homem não prestava, que por suas mentes só passavam safadezas. A frase dela é: "não acredite em prova de amor." Sempre fui obediente, embora minhas vontades fossem as mais desobedientes possíveis. Mas eu fui desobediente, teimosa, insistente. Eu quis gostar e não deu certo. Gostei demais. E parei de gostar quando lembrei que homem não prestava e que eu deveria ser alguém antes. E algumas vezes gostei. Gostei demais. Chorei demais. Esqueci. Encontrei um outro alguém pra gostar. E chorei. Minha ultima paixão resultou em decepção novamente. Não sei se decepção seria a palavra certa, mas eu não encontro na minha mente vagarosa , a essa hora uma palavra melhor. Senti tudo outra vez. Ele queria. Eu queria. Mas, como um piscar de olhos, não queria mais. Foi doloroso e angustiante. Mas eu sabia que não deveria, que não poderia. Mas o tal masoquismo me induz à vontades que eu não deveria. Eis que quebrei a cara mais uma vez e estou à procura de um outro alguém pra me fazer apaixonar e desapaixonar. Vai entender ...

Nenhum comentário:

Postar um comentário