O que me motiva é poder admirar sua chegada, seu jeito de sorrir, de andar, de segurar o caderno e a última olhadinha tímida quando passa pela última coluna antes da porta. Passar e não olhar, mas sentir que você está me olhando. Não sei porque. Não sei com que intenção, não sei se me olha mesmo. Estou a ponto de saber mais do que eu necessito pra te admirar. Estou, quem sabe, atingindo o limite para deixar de ser platônico. Eu tenho medo. Medo não, é uma frustração por não saber o que vai acontecer. Será que saber o seu nome pode mudar alguma coisa?
ENCONTRO-ME DIVIDIDA!
O meu desejo é que você continue platônico, porque se você não for tudo o que eu imagino que você seja, se você não for engraçado, sensível, capaz de me emocionar com poucas palavras ou pequenos gestos, de me fazer sorrir por uma piada besta, eu ficarei profundamente aborrecida, decepcionada, triste, chateada, me sentindo incapaz de merecer alguém assim.
Ao mesmo tempo, o meu desejo é derrubar de vez esse troço que nos separa. Que você me perceba no mundo. Que eu te agrade pelo detalhe mais tolo do meu ser. Poder conhecer suas fraquezas, suas virtudes, precisar de você, imaginar sua voz antes de dormir, durante a aula, na hora do almoço... Ouvir uma música e associá-la a alguma coisa que aconteceu entre nós, pensar no meu nome com o seu sobrenome e nos nomes dos nossos filhos, na decoração da nossa sala...
Ah, meu Deus! Eu sei que alguma coisa vai mudar, só queria que fosse pra melhor. Porque né...

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